“O que o prefeito Gilberto Kassab fez com São Paulo não foi só uma estupidez, mas prova de ignorância”. Esta é a opinião do publicitário Francesc Petit, o mais importante e ferrenho opositor do projeto Cidade Limpa, implantado em São Paulo, em 2007. Petit defende sua opinião com conhecimento de causa. Ele representa a letra “P” de uma das maiores agências de publicidade do Brasil, a DPZ. A letra “D” é correspondente a Roberto Duailibi e a “Z” a José Zaragoza.
Para Petit, a comunicação na via pública faz parte da paisagem urbana, correspondendo ao referencial de um povo e uma época. Para justificar sua polêmica opinião, o publicitário cita inúmeros cartazes criados por Toulouse-Lautrec para o Moulin Rouge, de Miró para a Galeria Maeght, de Paris, e dele próprio, incluindo o das Olimpíadas de Barcelona de 1992, sua cidade natal. Petit que faz parte do Conselho de preservação ambiental espanhol, defende a publicidade como elemento artístico, e para ele, somente os cartazes de rua são capazes de conectar a arte e a comunicação. E justifica: “em vários países existem museus só de cartazes”.
Talvez seja importante discutir não a existência da comunicação ao ar livre, mas a incapacidade do poder público em disciplinar o uso, fiscalizar a atuação e entender a importância da ferramenta. Elementos poluidores são outros, os clássicos postes e fios, a ausência de estética, unidade, beleza em placas indicativas, semáforos e pichações.
Se para dialogar com o poder público tivermos que esclarecer quem foram ou são Lautrec, Miró, Moulin Rouge e Barcelona, o problema é outro. Melhor e mais funcional seria abrir uma escolinha de conhecimentos gerais.
É necessário entender que os empresários do setor também não estão isentos de responsabilidade na preservação paisagística. É necessário que haja conscientização para que sejam elaborados projetos ousados de comunicação nas vias públicas, capazes de convívio com a população. Bons exemplos são o Times Square, em Manhattan, Las Vegas, e os affiches parisienses, que se tornaram inclusive atrações turísticas.
Em 2009 o valor dos outdoors será evidenciado na comemoração dos 80 anos de fundação da primeira empresa de mídia exterior, em São Paulo, a Pintex. Além disso, está em fase de criação a Federação Nacional de Empresas de Mídia Exterior (Fenapex), a qual me orgulho pertencer. O objetivo da entidade é abrir esta discussão em todo o território brasileiro, gerando o diálogo entre as entidades congêneres de outros países dos cinco continentes. Este é um importante passo para que o processo de comunicação na via pública possa ser compreendido e preservado também como elemento cultural dos povos.
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