NOVA YORK (Assis Tito) - Ao me hospedar na Times Square em Nova York, transitar pelas rodovias norte-americanas e passear pela Broadway, percebo o quanto o outdoor é importante para os Estados Unidos. A prefeitura de Nova York construiu uma espécie de anfiteatro (na verdade, uma arquibancada) para os turistas e transeuntes observarem, fotografarem e filmarem, sem parar, dia e noite, os outdoors feéricos e suas bonitas mensagens. Ali vemos convivendo lado a lado, a mais moderna tecnologia eletrônica e os tradicionais painéis iluminados. Os abrigos de passageiros, os ônibus, os taxis, as cabines telefônicas, tudo é publicidade. É inimaginável um prefeito pensar em acabar com a Times Square, a revolta da população seria tão grande que ele não resistiria. O outdoor imprescindível em Nova York, e tão importante quanto em Salvador, no Brasil, para o turismo de negocio e de lazer.
Penso o quanto a publicidade significa para a economia norte-americana ao promover negócios, fortalecer a imagem do país, empregar pessoas, gerar tributos. Em contraponto penso em São Paulo e na decisão do prefeito Gilberto Kassab, influenciado pelo governador José Serra, em acabar com a comunicação na via pública. Ao pensar em fazer bem a São Paulo, fez mal ao Brasil. Além dos negócios que deixam de ser gerados, as cidades perdem em atrativo, pessoas ficam sem emprego e há queda na arrecadação de tributos. Outdoor, para mim, é literalmente vida, no mais amplo sentido da palavra. O lado feio dele está na incapacidade do poder público em saber usá-lo com competência, o que não é novidade em nossos governos. Se nossa administração é deficiente em quase tudo (saúde, educação, segurança, etc), não seria diferente no disciplinamento do uso do espaço público.
Como morador de Belo Horizonte, preocupo-me em ver os técnicos da prefeitura prepararem um projeto de lei para o outdoor excessivamente restritivo. Confio e admiro o prefeito Márcio Lacerda, respeito a Câmara Municipal, e acredito na infinita capacidade do mineiro de trabalhar com o bom senso. Nesse momento de reflexão sobre a importância da mídia out of home, me lembro da minha amiga, escritora e jornalista, Leila Ferreira. Uma vez, ela viu um outdoor em Paris que dizia "A felicidade não é um todo, ela é feita de pequenas partes". Quase se mudou para a Cidade Luz na metade de sua vida.
A comunicação na via pública, presente em todas as cidades do mundo, com exceção de São Paulo, é mais solução do que problema. Foi necessário vir aos Estados Unidos para ficar convencido disso.
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